A Airfix, fundada em 1939 pelo empresário húngaro Nicholas Kove, definiu o modelismo em plástico para gerações de crianças britânicas — Spitfires, bombardeiros Lancaster e navios para colar e pintar. Mas, em 2006, sua controladora, o grupo Humbrol, sediado em Hull, já enfrentava dificuldades havia anos: os prejuízos se acumulavam, o fluxo de caixa se apertava e então a Heller SA — a fábrica francesa que produzia a maior parte de seus kits — também entrou em administração judicial. O bloqueio no fornecimento levou a Humbrol à falência em agosto de 2006; 31 dos 41 funcionários perderam o emprego, e os administradores da Grant Thornton foram nomeados.

Os administradores chamaram a Airfix de "uma marca icônica" que era "capaz de venda e investimento futuros". Em novembro de 2006, a Hornby, fabricante de trens de brinquedo sediada em Kent, pagou £2,6 milhões pela Airfix e pela Humbrol. As marcas Airfix e Humbrol tinham vendas combinadas de £6,5 milhões em 2005, de modo que a Hornby comprou um nome famoso em dificuldades, não uma empresa em operação: a Hornby disse que transferiria a distribuição, as vendas e o marketing para sua própria unidade em Kent e terceirizaria a produção, enquanto a fábrica de Hull já havia fechado com a perda de quase todos os empregos.

A marca sobreviveu à transição. Vinte anos depois, a Airfix continua sendo uma marca da Hornby: em fevereiro de 2026, o Guardian descreveu a Hornby como vendedora de aviões e carros de brinquedo "sob as marcas Airfix e Corgi", enquanto destinava o produto de uma venda de £20 milhões da Scalextric às suas linhas restantes. A Airfix, assim, sobreviveu não apenas à Humbrol mas também aos próprios anos de crise da Hornby — a empresa foi fechada de capital pela Phoenix Asset Management após alertas de lucro em 2017, e surfou um boom do hobby durante a pandemia de Covid antes de se reestruturar novamente.

Uma marca icônica comprada por £2,6 milhões contra £6,5 milhões em vendas de 2005 — e ainda vendida sob a Hornby duas décadas depois, ao lado da Corgi.

O comprador já conhecia a categoria. A Hornby operava o mesmo canal de varejo — lojas de hobby e varejistas de brinquedos —, então a Airfix não precisava de nova distribuição para valer mais para a Hornby do que para um liquidante.

A Hornby comprou a marca, não a fábrica: a produção foi terceirizada e a fábrica morta de Hull foi deixada para trás, mantendo os custos fixos do resgate próximos de zero.

O julgamento do administrador de "marca icônica" era compartilhado pelo mercado: gerações de compradores davam ao nome uma demanda que sobreviveu à morte de seu fabricante.

Para a Hornby, o negócio era lógica de portfólio — a mesma abordagem que usou para a Scalextric e, mais tarde, para a Corgi —, de modo que a Airfix se encaixou em uma máquina de gestão de marcas já existente.

Um fabricante falido ainda pode deixar sobre a mesa uma marca valiosa. Um comprador reduzido, com distribuição em funcionamento, pode resgatar o nome mesmo quando a fábrica é irrecuperável.

A Airfix continuou sob a Hornby enquanto a sorte da controladora oscilava: os alertas de lucro da Hornby nos anos 2010 terminaram em uma oferta de aquisição da Phoenix Asset Management, e a empresa mais tarde citou um boom do hobby na Covid. Em fevereiro de 2026, a Hornby, então parte do grupo Castelnau, vendeu a Scalextric por £20 milhões para reduzir dívidas e investir em suas marcas restantes — entre elas a Airfix e a Corgi. Quase duas décadas depois de os administradores da Humbrol questionarem se o nome sobreviveria, os kits Airfix ainda saem de linha sob uma Hornby que não fabrica nada em Hull, nem em quase lugar algum da Grã-Bretanha.

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As fontes

  1. Sticky future for kitmaker Airfix BBC News · news.bbc.co.uk ·
  2. Hornby snaps up Airfix for £2.6m BBC News · news.bbc.co.uk ·
  3. Hornby sells slot car racing brand Scalextric for £20m The Guardian · theguardian.com ·