Em uma entrevista à Fortune publicada em 24 de março de 2026, a CEO Sarah London descreve como transformou o portfólio, a tecnologia e a cultura da Centene desde que assumiu em 2022, aos 41 anos — ainda a mulher mais jovem a liderar uma empresa da Fortune 500. Seu antecessor, Michael Neidorff, construiu a empresa a partir de um plano regional de Medicaid em St. Louis com cerca de US$ 40 milhões em receita até se tornar a maior organização de managed care de Medicaid dos EUA; esse crescimento liderado por aquisições, segundo ela, trouxe inchaço e "não houve tanto foco em disciplina operacional", então ela vendeu várias operações não essenciais.
O modelo operacional reconstruído se apoia em dados: London afirma que cada sinistro passa diariamente por 75 algoritmos de fraude, desperdício e abuso, e algoritmos preditivos sinalizam membros com probabilidade de partos de alto risco (autodeclarado na entrevista). A Centene opera programas de trabalho em mais de 17 estados e, em maio de 2024, ela anunciou no Fortune Brainstorm Health uma parceria para construir US$ 900 milhões em moradia acessível em oito estados para melhorar resultados de saúde. Uma iniciativa One-CenTeam pretende fazer da seguradora um catalisador de comunidades mais saudáveis.
Os resultados são mistos. A Fortune relata que a receita de 2025 cresceu quase 20%, para US$ 194,8 bilhões, mas a Centene registrou prejuízo líquido de US$ 6,7 bilhões devido a um impairment (baixa contábil) vinculado ao One Big Beautiful Bill Act, que corta os gastos federais com Medicaid em mais de US$ 900 bilhões ao longo de dez anos. Em julho de 2025, após dados mostrarem que seus planos de ACA estavam matriculando menos pessoas e mais doentes, London retirou a orientação de resultados e as ações caíram 40% em um dia, para a mínima em oito anos.
Ela disse à Fortune que "é difícil não sentir que retirar a orientação e cortar a ação pela metade é um fracasso", e descreveu um "novo normal" de pressões cumulativas sobre o sistema. Analistas não esperam que os cortes federais atinjam massivamente a receita bruta da Centene, e London argumenta que as reformas ressaltam a necessidade de uma abordagem holística e de alta tecnologia para cuidar de populações vulneráveis.
A receita de 2025 subiu quase 20%, para US$ 194,8 bilhões, mas a Centene registrou prejuízo líquido de US$ 6,7 bilhões e as ações caíram 40% em um dia após retirar a orientação para 2025.
Mais da metade da receita da Centene vem do Medicaid, onde é a maior seguradora dos EUA, de modo que um corte federal de US$ 900 bilhões recai sobre seu negócio principal.
O crescimento liderado por aquisições de Neidorff deixou, nas palavras de London, muita missão, mas pouca disciplina operacional; as vendas de ativos não essenciais e a integração foram a correção.
A Centene atende uma proporção maior de pacientes mais doentes do que muitas seguradoras, tornando a prevenção baseada em dados de eventos caros a principal alavanca de custos.
A retirada da orientação mostrou que o antigo manual — crescimento com base na inscrição subsidiada no ACA — deixou de funcionar à medida que a inscrição encolheu e a gravidade dos casos aumentou.
Em um negócio movido por políticas públicas, um modelo operacional reconstruído em torno de dados — vender unidades não essenciais, automatizar a supervisão, prevenir eventos de alto custo — é uma proteção a ser construída antes que o financiamento mude, não depois.
Na data da entrevista, em março de 2026, a reestruturação ainda estava em curso sob pressão: o governo havia anunciado em fevereiro novas repressões à fraude no Medicare e no Medicaid, somando-se aos cortes de financiamento e aos créditos fiscais do ACA expirados já em vigor. London argumenta que havia "bastante apoio bipartidário" para tornar o setor mais eficiente e enquadra o momento como um reforço da necessidade de cuidados holísticos e viabilizados pela tecnologia. A reportagem não informa números de lucro após a reestruturação; os resultados verificados mais recentes são a receita de US$ 194,8 bilhões, o prejuízo de US$ 6,7 bilhões e a retirada da orientação em julho de 2025.
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