Até 14 de setembro de 2026, o serviço regional de trombectomia da Irlanda do Norte — o procedimento que retira mecanicamente coágulos do cérebro — funcionava apenas entre as 08h00 e as 17h00. Um investimento de £5 milhões através do financiamento de Cuidados Eletivos do Programa para o Governo do Stormont transformou-o num serviço 24 horas por dia, sete dias por semana. O ministro da Saúde, Robbie Butler, descreveu-o como um momento histórico: a Irlanda do Norte é a primeira nação do Reino Unido a disponibilizar um serviço de trombectomia 24 horas por dia a toda a sua população.

A lógica clínica é inequívoca. A consultora de AVC do Belfast Health Trust, Dra. Patricia Gordon, afirma que cerca de 10% dos doentes com AVC têm um coágulo grande que pode ser removido por trombectomia; são os AVC mais graves, que bloqueiam as principais artérias cerebrais. O procedimento aumenta em mais de 50% as probabilidades de uma boa recuperação e reduz o risco de morte em quase 20% — transformando um «estado de grande dependência» num «estado quase independente novamente», se o coágulo for retirado a tempo.

A prestação assenta num modelo em rede: o procedimento é realizado no Royal Victoria Hospital, em Belfast, alimentado por um percurso regional que envolve equipas de AVC dos hospitais Causeway, Antrim Area, Royal Victoria, Ulster, Craigavon Area, Daisy Hill, Altnagelvin e South West Acute. Imagiologia apoiada por inteligência artificial ajuda os clínicos a identificar rapidamente quem pode beneficiar. Gordon diz que o maior desafio é o pessoal: é necessária «uma enorme quantidade de profissionais» para preencher as escalas 24 horas por dia. O compromisso foi publicado pela primeira vez em junho de 2022, no Plano de Ação para a Reestruturação dos Cuidados de AVC.

A escala: cerca de 3.000 pessoas sofrem um AVC na Irlanda do Norte todos os anos — uma a cada três horas — e mais de 43.000 sobreviventes de AVC vivem na comunidade. O serviço vai aumentar a capacidade até 300 trombectomias por ano, cerca do dobro do que realizava com horário reduzido. A doente Gemma O'Hara, tratada após um AVC do tronco cerebral em setembro de 2025, ao abrigo do antigo horário, recuperou bem e chama-lhe «um tratamento milagroso» — mas diz que o seu maior medo era sofrer outro AVC durante a noite, quando a trombectomia não estava disponível.

Acesso 24 horas por dia para os cerca de 3.000 doentes com AVC anuais da Irlanda do Norte — pioneiro no Reino Unido; aumento de capacidade até 300 procedimentos por ano, cerca do dobro.

Elimina uma desigualdade baseada no relógio num tratamento em que o tempo é crítico: o mesmo AVC às 15h00 e às 3h00 passa agora a ter o mesmo acesso.

O modelo de prestação é uma estratégia em rede — um centro de referência, alimentado por oito hospitais — que mostra como uma pequena região consegue assegurar pessoal para uma especialidade 24 horas por dia sem oito réplicas dessa especialidade.

Os números são honestos: a capacidade é apresentada como uma meta a atingir (300 por ano, aproximadamente o dobro), não como uma alegação inflacionada.

Mostra um plano de 2022 que chegou à execução quatro anos depois, financiado através de um compromisso do Programa para o Governo, em vez de ficar pelo caminho.

Os serviços em que o tempo é crítico não podem fechar às 17h00: financiar as escalas para funcionar a todas as horas duplica a capacidade e elimina a lotaria do relógio numa só decisão.

O serviço alargado entrou em funcionamento a 14 de setembro de 2026. Gordon diz que a equipa de AVC defende o alargamento há algum tempo e considera-o transformador para os doentes; Butler enquadra-o como um dos avanços mais significativos da medicina moderna do AVC, ao alcance de todos os cidadãos. A imagiologia apoiada por IA já está em uso para acelerar a identificação dos doentes ao longo do percurso dos oito hospitais.

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As fontes

  1. 'My treatment was a miracle,' says stroke patient as new 24-hour service rolled out BBC News NI · bbc.com ·