O Grupo Carrefour Brasil é o maior varejista alimentar do país — liderou o ranking da ABRAS pelo décimo ano consecutivo, com R$ 123,5 bilhões de receita em 2025, num mercado em que o varejo alimentar movimentou R$ 1,14 trilhão, cerca de 9% do produto nacional. Mas passou três anos encolhendo em direção ao atacarejo e aos clubes de associados: 64 lojas Nacional e BomPreco foram colocadas à venda em 2024, e a subsidiária brasileira foi deslistada em maio de 2025. Em meados de 2026, suas 718 lojas abrigavam 387 unidades do Atacadão, 105 hipermercados, 58 Sam's Club, 142 lojas de conveniência — e apenas 26 supermercados Carrefour Bairro.
Em 25 de setembro de 2026, concordou em vender 21 das 26 — 15 em São Paulo, seis no Distrito Federal, além de nove farmácias e três postos de combustível — à SDB Comercio de Alimentos, a empresa operacional dentro do Grupo Pereira, de controle familiar, por cerca de R$ 360 milhões (US$ 69 milhões). As lojas seguem operando até que o CADE, autoridade antitruste, aprove a operação, e então passam para a bandeira Comper, do Pereira; os funcionários são transferidos com as unidades. O Carrefour mantém as cerca de cinco lojas Bairro que considera lucrativas e bem localizadas, classificando a venda como parte da "revisão e otimização contínuas" de seu portfólio.
O comprador é um grupo catarinense com R$ 17,5 bilhões de receita em 2025, cerca de 24 mil funcionários e 194 lojas sob as bandeiras Fort Atacadista e Comper, sétimo colocado pela ABRAS. A operação dá à Comper suas primeiras lojas em São Paulo, o mercado consumidor mais rico do Brasil, e a leva de quatro para dez supermercados no Distrito Federal. Para o Carrefour, a receita bruta do primeiro semestre de 2026 chegou a cerca de R$ 58,2 bilhões, com lucro operacional 5,8% maior — mas as vendas em mesmas lojas subiram apenas 0,4% no segundo trimestre, de modo que o crescimento agora depende dos grandes formatos, e não da loja de bairro.
Venda acordada de 21 lojas por cerca de R$ 360 milhões (US$ 69 milhões), um corte de 81% da rede de supermercados, mantendo uma rede de 718 lojas em que Atacadão e Sam's Club sustentam o crescimento.
Os supermercados eram a menor fatia da rede — 26 de 718 lojas — num mercado de margens baixas em que, como diz o relatório, a escala decide quem sobrevive a um ano de consumo fraco.
O pagamento de dívidas das famílias consumiu um recorde de 28,9% da renda, segundo dados do banco central, empurrando as redes brasileiras para corte de custos e marcas próprias em vez de novos formatos.
É no Atacadão que o grupo concentrou suas aberturas e seu capital; hipermercados e Sam's Club completam um foco em grandes formatos que deixou pouco espaço para o Bairro.
As bases do Pereira no Sul, no Centro-Oeste e no Distrito Federal fizeram dele um comprador natural em busca de escala nacional em São Paulo.
Quando um formato pesa, venda-o ao player regional que ainda o quer e concentre o capital onde o modelo já vence. Uma decisão antitruste pendente define quão limpa será a saída.
A operação foi protocolada no CADE na semana do anúncio, que identificou sobreposições entre as duas redes em quatro localidades — um número pequeno que costuma indicar aprovação com condições, e não bloqueio. Nenhuma das empresas deu prazo; até a decisão do CADE, as lojas continuam sob responsabilidade do Carrefour. O Carrefour não disse quais supermercados remanescentes considera lucrativos nem como usará os recursos, e nenhuma das partes divulgou como o preço se divide entre imóveis, estoque e ágio.
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As fontes
- Carrefour Quits Supermarkets in Brazil With Sale of 21 Stores The Rio Times · riotimesonline.com ·