Seis anos depois de uma fraude contábil que a levou a um processo de falência nos EUA e à saída da Nasdaq, a Luckin se reconstruiu e se tornou a maior rede de cafeterias da China em vendas, superando a Starbucks, com uma avaliação no mercado de balcão de aproximadamente US$ 9,6 bilhões. No início de setembro de 2026, o fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala, de US$ 385 bilhões, tornou-se investidor direto por meio de um investimento conjunto de US$ 1 bilhão com a Centurium Capital, acionista controladora da Luckin — sem que nenhuma das partes tenha divulgado o tamanho das respectivas participações.

O presidente David Li disse à CNBC em entrevista exclusiva que a Luckin está "potencialmente entrando" em países do Golfo enquanto avalia seus próximos mercados externos; o CEO Jinyi Guo, em entrevista separada à CNBC, citou a demanda estável e de alta frequência por café e a preferência crescente por bebidas com baixo teor de açúcar e voltadas à saúde. Uma expansão para o Oriente Médio foi planejada ainda em 2019, mas nunca aconteceu em meio ao escândalo de fraude. Hoje a presença internacional ainda é modesta: cerca de 23 lojas na cidade de Nova York um ano após a estreia nos EUA, 150 na Malásia e 100 em Singapura, contra mais de 36.000 lojas na China continental e em Hong Kong.

A escala por trás da ambição é informada pela própria empresa: no segundo trimestre, a receita cresceu 28,5% em relação ao ano anterior, para ¥ 15,9 bilhões (US$ 2,34 bilhões), o número médio de clientes transacionadores mensais subiu 23%, para 112,7 milhões, e foram abertas 2.714 novas lojas líquidas (números citados pela CNBC a partir dos resultados da Luckin). Guo também disse que a empresa está "pressionando ativamente" por uma nova listagem em uma bolsa principal dos EUA, que ainda precisa de aprovação regulatória chinesa e não tem prazo definido. A investidora Centurium comprou separadamente em abril a rede premium Blue Bottle Coffee da Nestlé por, segundo relatos, menos de US$ 400 milhões.

Receita do 2º trimestre de 2026 cresceu 28,5%, para ¥ 15,9 bi (US$ 2,34 bi), com 112,7 mi de clientes transacionadores mensais e mais de 36.000 lojas na China e em Hong Kong (números da empresa citados pela CNBC)

Os mercados do Golfo oferecem demanda estável e de alta frequência por café e um gosto crescente por bebidas com baixo teor de açúcar e voltadas à saúde, segundo o CEO Jinyi Guo.

A recuperação doméstica — maior que a Starbucks na China — finalmente dá à Luckin a escala e a credibilidade para se expandir no exterior.

O investimento direto de US$ 1 bilhão da Mubadala vincula a Luckin ao fundo soberano de Abu Dhabi, cuja região de origem é justamente a que está em consideração.

A escala internacional é minúscula diante da China — cerca de 273 lojas fora dela contra mais de 36.000 no país —, o que faz das novas regiões a próxima perna de crescimento.

O capital de fundos soberanos segue a comprovação: conserte primeiro o mercado doméstico, e o dinheiro — e a opção de entrar em novas regiões — tende a vir até você.

Nenhuma entrada no Golfo foi anunciada até agora; Li disse que a região está em consideração enquanto a Luckin continua a expandir Singapura e a Malásia, seus outros mercados asiáticos. A Temasek revelou uma participação de 6,4% em um documento regulatório de maio. A nova listagem em uma bolsa principal dos EUA descrita por Guo continua pendente de aprovação regulatória chinesa, sem prazo definido, e a divisão de participações entre Mubadala e Centurium permanece não divulgada.

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As fontes

  1. Luckin Coffee, flush with Persian Gulf cash, weighs entry into Middle East markets CNBC · cnbc.com ·