Atravessando o pior mercado de transporte marítimo desde os anos 1980, a Kirby Corporation, maior operadora americana de barcaças-tanque de navegação interior, continuou lucrando: o lucro líquido de 2009 foi de US$ 125,9 milhões sobre receitas de US$ 1,08 bilhão, abaixo dos US$ 157,2 milhões sobre US$ 1,36 bilhão em 2008, mas longe de uma situação de dificuldade. Sua rival costeira K-Sea Transportation Partners, endividada após anos de expansão, não tinha essa reserva; em março de 2011, suas units eram negociadas a cerca de US$ 6,40.
Em março de 2011, a Kirby concordou em comprar a K-Sea por US$ 8,15 por unit, em dinheiro ou ações, um prêmio de 26% e um valor de equity próximo de US$ 335,3 milhões, com aprovação unânime do conselho da K-Sea. O negócio foi fechado em 1º de julho de 2011, por um valor total de US$ 603,4 milhões: US$ 227,6 milhões aos detentores de units, US$ 262,8 milhões para liquidar a dívida da K-Sea e US$ 113,0 milhões em ações da Kirby, segundo o Formulário 10-K da Kirby.
A aquisição levou a Kirby, antes restrita a rios e à via navegável Intracoastal, às costas Leste, Oeste e do Golfo, além do Alasca e do Havaí. As receitas de 2011 saltaram 67%, para US$ 1,85 bilhão, e o lucro líquido, para US$ 183,0 milhões, mesmo com as enchentes do Mississippi custando cerca de US$ 0,07 por ação.
A receita subiu de US$ 1,11 bilhão em 2010 para US$ 1,85 bilhão em 2011, e a Kirby acrescentou 57 barcaças-tanque costeiras (3,8 milhões de barris) e 63 rebocadores por um preço total de US$ 603,4 milhões
A Kirby protegeu a lucratividade no fundo do ciclo, cortando pessoal administrativo e despesas gerais para que seu balanço continuasse sendo uma arma enquanto rivais endividadas lutavam para sobreviver.
A frota de 57 barcaças costeiras da K-Sea era jovem, de casco duplo e difícil de replicar sob as regras do Jones Act, de modo que comprá-la saiu melhor do que construí-la.
As duas empresas já compartilhavam clientes: grandes petrolíferas e refinarias que transportavam tanto por rio quanto pela costa, o que tornou concretas as sinergias da consolidação.
A continuidade da gestão foi considerada no preço: a equipe da K-Sea continuou administrando o negócio costeiro, reduzindo o risco de integração em um segmento pouco familiar.
Um balanço mantido íntegro durante uma desaceleração é uma arma de aquisição: proteja o lucro, não a participação de mercado, e você poderá comprar ativos estratégicos de rivais sobre-endividadas antes que a recuperação os reprecifique.
A Kirby incorporou a frota da K-Sea a um negócio costeiro ao lado da compra da Enterprise Marine por US$ 53,2 milhões, concluída em fevereiro de 2011, criando a plataforma hoje conhecida como Kirby Coastal. A gestão da K-Sea continuou comandando as operações costeiras do dia a dia sob a Kirby. A aquisição tornou a Kirby a consolidadora clara do transporte líquido sob o Jones Act nos EUA, e sua receita de 2011 de US$ 1,85 bilhão contra US$ 1,11 bilhão em 2010 mostrou a mudança de patamar que o negócio proporcionou.
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As fontes
- Kirby Corporation Form 10-K (fiscal year 2011) U.S. Securities and Exchange Commission, EDGAR · sec.gov ·
- Kirby Corporation Form 10-K (fiscal year 2009) U.S. Securities and Exchange Commission, EDGAR · sec.gov ·
- Kirby Corp. buys K-Sea Transportation gCaptain (Business Wire release) · gcaptain.com ·