Em 2015 e 2016, a SKF — maior fabricante de rolamentos do mundo, "onde quer que algo gire, estamos envolvidos" — foi pressionada pela desaceleração industrial: indústria pesada chinesa fraca, setor de energia em queda e um negócio de componentes automotivos persistentemente deficitário. O relatório anual de 2016 expõe o resultado sem rodeios: margem operacional do grupo de 10,3%, abaixo da própria meta de 12% da empresa, com volumes de vendas menores compensando reduções de custos.
Duas decisões sustentaram a resposta. A primeira, lançada no fim de 2015, foi o Plano de Recuperação Automotiva — "excelência operacional e eficiência de custos e definição clara do negócio principal" — creditado no relatório de 2016 por uma margem operacional automotiva de 6,5% após anos de arrasto. A segunda foi a reformulação feita pelo CEO Alrik Danielson em torno de "duas propostas de valor estrategicamente diferentes": vender produtos e vender Desempenho de Equipamentos Rotativos — sensores, monitoramento de condição e análise remota que vendem disponibilidade operacional em vez de apenas peças.
A segunda decisão foi física: um programa de fabricação de classe mundial que reconstruiu fábricas-chave em torno de automação e digitalizou a cadeia de valor, dos fornecedores aos usuários finais, começando pela fábrica de rolamentos autocompensadores de rolos de Gotemburgo. Juntas, essas apostas transformaram a recuperação do ciclo em margem estrutural: em 2018, o negócio industrial operou com margem operacional de 15,6% (ante 13,5%) sobre crescimento orgânico de 9,4%, e o grupo atingiu margem de 12,9% com retorno sobre o capital empregado de 17,6%, superando sua meta de 16%.
A carta de Danielson de 2018 apresenta o resultado sem hesitação: "Os negócios têm ido bem, temos crescido e obtido resultados recordes em todos os mercados e todos os segmentos... crescimento orgânico mais forte, margens melhores, balanço mais sólido, negócio automotivo aprimorado". Quatro das cinco metas financeiras da SKF foram alcançadas, com a quinta (capital de giro líquido) "ao alcance".
A margem operacional do grupo subiu de 10,3% em 2016 para 12,9% em 2018, com RoCE de 17,6%; 2018 entregou resultados recordes em todos os mercados e segmentos.
A desaceleração industrial expôs uma fraqueza estrutural — componentes automotivos dando prejuízo dentro de um grupo lucrativo — que uma retomada cíclica sozinha jamais teria corrigido.
Definir com precisão o núcleo automotivo e, em seguida, submetê-lo a metas de excelência operacional converteu a unidade mais fraca em contribuinte sem aliená-la.
A oferta de Desempenho de Equipamentos Rotativos levou a SKF a subir na cadeia de valor: serviços de monitoramento e disponibilidade operacional são mais duradouros e menos sujeitos à concorrência por preço do que apenas rolamentos.
Automatizar fábricas emblemáticas elevou simultaneamente a posição de custos e a flexibilidade, de modo que a alta de 2017-18 se traduziu em margem em vez de ser consumida por atritos de capacidade.
Recuperações podem ocorrer dentro de um grupo saudável: corrigir um segmento fraco e acrescentar uma proposta de valor em serviços pode levar uma indústria centenária a resultados recordes.
O portfólio continuou a se concentrar: em 2018, a SKF anunciou a alienação de seu negócio de movimento linear e atuação por 2,75 bilhões de coroas suecas para se concentrar em equipamentos rotativos, e a carta do CEO orienta o grupo para um modelo de economia circular de monitoramento, análise e reutilização de sistemas mecânicos. O recorde de 2018 tornou-se a base que a SKF defendeu na década de 2020, com a recuperação automotiva servindo de prova de que um segmento comprado por escala podia ser ensinado a dar lucro.
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As fontes
- SKF Annual Report 2016 — President's letter AB SKF / AnnualReports.com · annualreports.com
- SKF Annual Report 2018 — CEO letter AB SKF / AnnualReports.com · annualreports.com