No espaço de um mês durante a pandemia, a plataforma de busca de hotéis Trivago viu sua previsão de receita despencar de US$ 1 bilhão para praticamente zero. A receita efetiva caiu 70%, para €249 milhões em 2020, ante €839 milhões (cerca de US$ 940 milhões) em 2019 — uma "experiência de quase morte" que o CEO Johannes Thomas chama de início de um "inverno profundo". Mesmo após o fim das restrições de viagem, a empresa não se recuperou, e em 2023 Thomas foi trazido como CEO para revertê-la. "Depois de você ter uma experiência de quase morte e três anos de depressão, você tem uma equipe que não acredita mais", disse ele à Fortune.
A reconstrução de Thomas se apoiou em pessoas que cresceram dentro da empresa. Ele próprio entrara na Trivago em 2011 como estagiário de marketing online e, discretamente, reuniu outros ex-estagiários ao seu redor: o diretor financeiro Wolf Schmuhl e a diretora de marketing Jasmine Ezz — três dos quatro principais líderes começaram um dia como estagiários. Seu argumento: líderes que entendem o negócio e sua cultura desde a base são fundamentais para restaurar a crença.
A estratégia mira os jovens dos dois lados — como clientes e como talentos. O cliente médio da Trivago tem 34 anos, e a Geração Z foi a única geração a relatar aumento nos gastos com viagens ano a ano entre 2023 e 2024 (viagem média acima de US$ 11.000, segundo o relatório de seguro de viagem da Berkshire Hathaway). "Você tem craques no time de futebol sênior", diz Thomas, "e então tem um segundo time de jovens talentos que têm a chance de crescer."
A recuperação é real, mas inicial: a receita de 2024 ainda era metade da de 2019, enquanto a receita do primeiro trimestre de 2025 subiu 22%, para US$ 124 milhões. A Trivago se junta a Nike, HP, Principal Financial e EY na promoção de ex-estagiários ao cargo máximo — Elliott Hill, da Nike, começou como estagiário de vendas de vestuário aos 19 anos.
Receita do primeiro trimestre de 2025 subiu 22%, para US$ 124 milhões, após 2024 ainda se situar na metade dos níveis de 2019; liderança reconstruída em torno de pessoas que cresceram dentro da empresa.
O colapso da pandemia e três anos de estagnação haviam drenado a crença da equipe, no diagnóstico do CEO recém-chegado.
Thomas apostou que líderes que conheciam a cultura da Trivago desde a base poderiam reconstruí-la mais rápido do que estrelas externas.
Uma base de clientes com média de 34 anos de idade tornou jovens líderes e jovens talentos uma exigência de produto, não uma preferência de RH.
Após um choque de quase morte, o conhecimento da cultura pode superar a contratação de estrelas: líderes que subiram pela empresa podem reconstruir a crença — mas a recuperação é medida em anos, não em trimestres.
A receita está crescendo novamente — alta de 22% no primeiro trimestre de 2025, para US$ 124 milhões —, mas permanece cerca de metade do pico de 2019, deixando a reconstrução liderada por ex-estagiários com sua prova ainda por entregar.
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