A Volkswagen havia sido fundada em 1937 sob o partido nazista e terminou a guerra em mãos estatais, administrada pelo governo federal e pela Baixa Saxônia. O ministro da Economia, Ludwig Erhard, queria 'propriedade para todos': transformar alemães comuns em acionistas. O chefe da VW, Heinrich Nordhoff, e os trabalhadores não se entusiasmaram, e o acordo levou anos.
Em 21 de julho de 1960, o Bundestag aprovou a Lei Volkswagen, convertendo a Volkswagenwerk GmbH em sociedade anônima. Em 1961, 60 por cento das ações foram vendidas ao público como 'Volksaktien' — ações do povo destinadas a pequenos poupadores —, enquanto o governo federal e a Baixa Saxônia mantiveram 20 por cento cada. O produto da venda foi para a Fundação Volkswagen para financiar ciência e pesquisa.
A lei também blindou a empresa: nenhum acionista podia exercer mais de 20 por cento dos votos, independentemente da participação, e resoluções-chave exigiam maioria de 80 por cento — permitindo à Baixa Saxônia bloquear qualquer aquisição. O Tribunal de Justiça Europeu derrubou essas proteções em 2007; o governo federal já havia vendido sua última participação em 1988.
60% da VW passaram para acionistas privados, com o produto financiando a Fundação Volkswagen; as vendas de ações do povo de 1959–65 fizeram 4,5 milhões de alemães se tornarem acionistas.
A ideologia de Erhard exigia ampla propriedade acionária, então a venda foi desenhada para pequenos poupadores, não para instituições.
Manter 40% em mãos públicas e um teto de votos de 20% respondia ao medo de controle estrangeiro ou hostil do campeão nacional.
Destinar o produto a uma fundação de ciência atenuou as críticas de que o Estado estava vendendo a prata da casa por dinheiro.
Clareza jurídica — um estatuto sob medida — permitiu que uma privatização contestada sobrevivesse a anos de comissões e disputas judiciais.
A privatização pode trocar preço por legitimidade: dar aos cidadãos ações com desconto e manter uma participação estatal protetora tornou politicamente viável a venda da montadora nacional.
O sonho da propriedade em massa só funcionou pela metade: um relatório de gabinete de 1971 julgou o experimento das ações do povo um fracasso, porque em uma década pouco mais da metade das ações permanecia com os pequenos compradores originais. Mas a empresa floresceu como companhia listada, e a própria 'Lei VW' sobreviveu ao debate — resistindo até o TJCE anulá-la em 2007, o que abriu a porta para a ofensiva da Porsche e a eventual fusão Porsche–Volkswagen.
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As fontes
- Germany passes controversial "Volkswagen Law" HISTORY · history.com ·
- Ludwig Erhard und die „Volksaktie“ Ludwig-Erhard-Stiftung · ludwig-erhard.de