Uma década antes da reportagem da NPR de 2012, a fábrica de massas Barilla em Foggia, no sul da Itália, tinha um grande problema com pessoas faltando ao trabalho: o absenteísmo girava em torno de 10 por cento, com atestados médicos concentrados às segundas-feiras e em dias de grandes jogos de futebol. As fábricas da Barilla no norte da Itália tinham taxas muito menores.
A empresa disse a Nicola Calandrea, gerente da fábrica de Foggia, que fecharia a fábrica a menos que ele reduzisse o absenteísmo. Ele decidiu que a única maneira de salvá-la era mudar a cultura. Começou a enviar um médico às casas dos funcionários que ligavam dizendo estar doentes toda semana; descobriu quais médicos assinavam o maior número de atestados e enviou cartas a eles; e disse a todos na empresa que o absenteísmo em Foggia era muito pior do que nas fábricas do norte da Barilla — e que a fábrica fecharia se as coisas não melhorassem.
Até os trabalhadores com presença perfeita ficaram, nas palavras do trabalhador da linha de massa gravata Michael Beneze, apavorados — e começaram a pressionar os colegas a aparecer. A mudança de cultura teve um momento decisivo: um trabalhador recusou um dia de folga, ligou dizendo estar doente e usou o dia para jogar uma partida de futebol — jogando bem, marcando um gol e aparecendo no jornal local. Seus colegas o denunciaram e ele foi demitido, a única demissão de toda a repressão.
A taxa de absenteísmo da fábrica caiu de cerca de 10 por cento para abaixo de 4 por cento.
O absenteísmo caiu de cerca de 10% para abaixo de 4%, e a fábrica permaneceu aberta.
Comparar os números de Foggia com os de suas fábricas irmãs transformou o problema em um fato compartilhado, não em uma acusação da gerência.
Tornar explícita a ameaça de fechamento transformou a presença de uma escolha individual em uma questão de sobrevivência coletiva.
Perseguir atestados médicos fraudulentos na fonte — os médicos que os assinavam — atacou o sistema, não apenas os trabalhadores.
Uma demissão visível, apoiada pelos próprios colegas do trabalhador, estabeleceu o limite sem uma purga mais ampla.
O absenteísmo crônico é uma cultura, não uma lacuna de política: a transparência sobre a sobrevivência da fábrica e a pressão dos colegas fizeram o que as ameaças do RH não conseguiram.
Na visita da NPR em 2012, o absenteísmo estava abaixo de 4 por cento e a fábrica de Foggia ainda operava; a reportagem foi ao ar como parte da série do Planet Money sobre a divisão norte-sul da Itália.
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As fontes
- How A Pasta Factory Got People To Show Up For Work NPR Planet Money · www-s1.npr.org ·