A reorganização do Grupo Casas Bahia ao longo de 2023 fechou 38 lojas e reajustou três centros de distribuição, com outros cinco em replanejamento. O CEO Renato Franklin disse que o grupo esperava iniciar um novo plano de expansão em 2024, mas somente quando a geração de caixa superasse o pagamento de juros, o que era esperado entre 2024 e 2025 — uma condição que poderia ser antecipada dependendo da recuperação macroeconômica do Brasil.

Os fechamentos foram notavelmente indolores em termos de demanda: entre 40% e 60% do negócio das unidades encerradas migrou para outras lojas próximas. As operações físicas permaneceram "resilientes" — o volume bruto de mercadorias cresceu 0,2% no terceiro trimestre, para R$ 5,6 bilhões, e 3,9% nos primeiros nove meses, para R$ 17,19 bilhões — enquanto a empresa alegava liderança em participação de mercado offline, segundo dados da Neotrust.

A estratégia concentrou forças: as vendas do e-commerce próprio se voltariam para categorias "principais", nas quais a Casas Bahia detinha grande participação de mercado — até setembro, sua participação em TVs havia subido 17,9 pontos percentuais ante 2019, eletrodomésticos 9,3 pontos, telefonia 7,9, informática 7,6 e móveis 6,8. Itens de baixo valor, como produtos de limpeza, permaneceriam no marketplace, com um quadro de vendedores curado em vez de amplo — Franklin argumentava que "ter as melhores ofertas" superava uma variedade ampla que incluía fornecedores de baixa reputação cujos problemas se tornavam custos da empresa.

40-60% da demanda das lojas fechadas migrou para unidades próximas; participação de mercado em TVs subiu 17,9 pontos ante 2019, eletrodomésticos 9,3, telefonia 7,9.

Os fechamentos de lojas foram avaliados pela sobreposição de área de captação: onde uma unidade próxima podia absorver 40-60% da demanda, a economia de aluguel superava as vendas perdidas.

Os centros de distribuição foram reaproveitados em vez de simplesmente encerrados, preservando a capacidade logística enquanto se cortava o custo duplicado.

Concentrar as vendas próprias em categorias "principais" de alta participação defendia a margem contra a concorrência de e-commerce baseada puramente em preço.

Um marketplace curado, com menos vendedores e melhor verificados, evitava os custos de intermediação e de reputação de fornecedores de baixa reputação.

Racionalizar uma rede de lojas superdimensionada funciona quando se mede a migração de demanda: se os clientes da loja fechada simplesmente caminham até a próxima, o aluguel economizado é margem pura.

A reestruturação ainda não era uma recuperação: o prejuízo líquido do trimestre chegou a R$ 836 milhões, cerca de quatro vezes o prejuízo do ano anterior, embora ainda abaixo do pior resultado do grupo — R$ 854 milhões no fim de 2019, no auge de uma investigação de fraude contábil sobre processos trabalhistas. A expansão de lojas permanecia condicionada à geração de caixa cobrindo o pagamento de juros, com Franklin mantendo a opção de acelerar caso a economia macro se recuperasse.

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As fontes

  1. Casas Bahia prepara plano para expansão de lojas Valor Econômico · valor.globo.com ·