A Despegar, maior agência de viagens online da América Latina, com seus principais mercados no Brasil, no México e na Argentina, abriu capital na NYSE em 2017, tendo o Expedia Group entre seus acionistas. Quando a COVID-19 paralisou as viagens em 2020, suas transações despencaram, a receita caiu cerca de 50% em relação a 2019, e a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 142,9 milhões, com prejuízo operacional de US$ 177,2 milhões.

A recuperação não foi rápida. Mesmo com a retomada das viagens, 2022 terminou com prejuízo líquido de US$ 68,5 milhões, pressionado pela inflação e por juros mais altos em toda a região. A administração concentrou o negócio no Brasil, o maior mercado de viagens da região, e conteve a base de custos para que a retomada da demanda chegasse ao resultado final em vez de ser consumida por despesas fixas.

Funcionou. 2023 trouxe lucro líquido de US$ 24,5 milhões — o ano da virada —, e em 2024 o lucro líquido subiu para US$ 27,9 milhões, com receita total de US$ 774,1 milhões. Essa lucratividade foi a preparação para a saída: em 23 de dezembro de 2024, a Prosus concordou em adquirir a Despegar por US$ 19,50 por ação ordinária, em um negócio totalmente em dinheiro de cerca de US$ 1,7 bilhão, um prêmio de 33%. Os acionistas aprovaram a fusão em 4 de março de 2025, e a empresa se preparou para deixar a NYSE.

A receita caiu cerca de 50% em 2020, com prejuízo líquido de US$ 142,9 milhões; a Despegar voltou ao lucro em 2023 (US$ 24,5 milhões) e em 2024 (US$ 27,9 milhões), e depois foi vendida a US$ 19,50 por ação — um prêmio de 33%.

Reduzir o negócio a um núcleo gerador de caixa durante o colapso de 2020 manteve a Despegar solvente ao longo de mais dois anos de prejuízo.

Concentrar-se no Brasil deu à recuperação um único grande motor, em vez de dispersar apostas por moedas instáveis.

Manter os custos fixos estáveis fez com que a retomada das viagens em 2023 se convertesse em lucro líquido efetivo, em vez de erosão de margem.

Vender a partir da lucratividade, e não do fundo do poço de 2020, rendeu aos acionistas um prêmio de 33%, em vez de um preço de desespero.

Diante de um colapso da demanda, os vencedores cortam cedo para um núcleo gerador de caixa e dobram as apostas em seu maior mercado. Uma recuperação lucrativa — e não a mínima da crise — é o momento de vender ou captar capital.

A Prosus, que já administrava investimentos no comércio eletrônico da América Latina, apresentou o negócio como um acréscimo de experiência operacional e capacidades de IA à plataforma da Despegar, com o fechamento previsto para o segundo trimestre de 2025 e a saída da Despegar da NYSE. A empresa que perdeu US$ 142,9 milhões no primeiro ano da pandemia deixou os mercados públicos como uma aquisição lucrativa de US$ 1,7 bilhão — cinco anos depois de a COVID quase apagar seu mercado.

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As fontes

  1. Despegar.com, Corp. Form 20-F for fiscal year 2020 U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR) · sec.gov ·
  2. Despegar.com, Corp. Form 20-F for fiscal year 2024 U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR) · sec.gov ·
  3. Despegar to Be Acquired by Prosus for $1.7 Billion Skift · skift.com ·