Em 2016, o Brasil colocou a Celg-D, a distribuidora de energia do estado de Goiás, em leilão. A Equatorial Energia, uma operadora nacional construída em torno da Cemar no Maranhão, juntou-se aos concorrentes no processo estruturado pela IFC, ao lado de Energisa, CPFL, Neoenergia, Enel e AES Brasil. O preço mínimo era de R$ 1,4 bilhão pelo controle, mas a italiana Enel venceu, pagando R$ 2,1 bilhões.

A Celg-D continuou sendo um problema. A reguladora Aneel a classificou entre as piores distribuidoras do Brasil em qualidade do serviço, e ela não atingiu alguns níveis regulatórios mínimos enquanto atendia 3,3 milhões de clientes. Em 2022, a Enel estava em negociações para vender; os maiores concorrentes — a CPFL, controlada pela State Grid, e a EDP Brasil — desistiram do processo.

A Equatorial entrou em cena. Concordou em pagar R$ 1,58 bilhão (cerca de US$ 309 milhões) pela Celg-D, com a Enel Goiás quitando aproximadamente R$ 5,7 bilhões em empréstimos intercompanhias dentro de um ano após o fechamento; a Enel Americas informou à SEC que registraria uma perda de US$ 990 milhões. As ações da Equatorial dispararam até 7% naquele dia, e analistas classificaram o preço como criador de valor.

A Equatorial pagou R$ 1,58 bilhão por uma distribuidora que a Enel comprou por R$ 2,1 bilhões em 2016; as ações subiram 7% no anúncio, adicionando 3,3 milhões de clientes em uma nova região.

Seis anos operando distribuição com muitas perdas em estados mais pobres deram à Equatorial um manual de correção que os proprietários estrangeiros não tinham.

O desempenho insuficiente da Celg-D confirmado pelo regulador permitiu ao comprador definir o preço: 25% abaixo do que a Enel pagou em 2016.

A saída dos rivais CPFL e EDP eliminou a concorrência, deixando a Equatorial como o destino natural para o ativo.

A estruturação do negócio de modo que a Enel quitasse seus empréstimos intercompanhias evitou que o balanço da própria Equatorial absorvesse a dívida legada.

Redes reguladas recompensam o operador com um manual de correção eficaz. Quando os proprietários estrangeiros desistem e os rivais recuam, o especialista pode comprar pelo preço da dor do vendedor, não pelo potencial fixo do ativo.

O negócio da Celg-D estabeleceu o modelo: a Equatorial continuou consolidando distribuidoras fracas enquanto vendia ativos não essenciais. Em abril de 2025, concordou em vender sua unidade de transmissão — sete ativos, cerca de 2.400 km de linhas — por R$ 9,4 bilhões à plataforma da CDPQ, reduzindo a alavancagem de 3,3x para uma projeção de 2,9x e liberando capital para apostas em distribuição e saneamento. A Enel, por sua vez, continuou registrando baixas contábeis enquanto se concentrava em outros mercados.

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As fontes

  1. Brazil's power co Equatorial shares jump after deal for Enel's Celg-D announced Reuters · reuters.com ·
  2. Energisa, CPFL, Equatorial, Neoenergia, Enel e AES têm interesse na Celg Reuters · reuters.com ·
  3. Equatorial sells power transmission unit for R$9.4bn Valor International · valorinternational.globo.com ·