A Embraer nasceu como campeã estatal: fundada em 1969 a partir do instituto aeroespacial brasileiro (CTA/ITA) para construir uma indústria aeronáutica nacional, passou suas primeiras décadas fornecendo à Força Aérea e, a partir dos anos 1980, exportando aviões de linha regionais. No fim dos anos 1980, a empresa estatal afundava junto com as finanças do Brasil e chegou perto da falência.

O Programa Nacional de Desestatização incluiu a Embraer na lista de leilões em 1992, e o governo de Itamar Franco vendeu o controle em 7 de dezembro de 1994 por R$ 154,1 milhões. Os fundos de pensão Previ e Sistel e o banco Cia. Bozano, Simonsen assumiram os blocos de controle; pelas regras do leilão, estrangeiros podiam deter no máximo 40% das ações com direito a voto, e o Brasil manteve uma única golden share com poder de veto sobre movimentos estratégicos.

Sob Mauricio Botelho, a empresa se reestruturou em torno da família de jatos regionais ERJ-145, uma aposta na mudança mundial dos turboélices para os jatos pequenos. A Embraer abriu capital simultaneamente na NYSE e na bolsa de São Paulo em 2000 e, em 2001, registrou vendas líquidas de US$ 2.927 milhões e lucro líquido de US$ 328 milhões.

Em 1999, um consórcio de grupos aeroespaciais franceses — Dassault, EADS, Snecma e Thales — comprou 20%, aprofundando os laços de exportação que a era estatal nunca havia destravado. A Embraer ascendeu a uma das maiores exportadoras do Brasil e a uma das principais fabricantes de jatos regionais e executivos.

Em 2001, as vendas líquidas eram de US$ 2,93 bilhões, com lucro líquido de US$ 328 milhões; a família ERJ-145 tornou a Embraer uma das principais fabricantes de jatos regionais, e ela abriu capital na NYSE e na BOVESPA em 2000.

O leilão do PND impôs a disciplina de orçamento rígido que a era estatal não tinha: depois de 1994, os prejuízos deixaram de ser absorvidos e o risco de produto passou a ser uma decisão privada.

Os fundos de pensão como acionistas-âncora forneceram capital paciente sem os conflitos de uma controladora estratégica.

A golden share preservou o veto do Brasil sobre transferências de controle e questões de defesa, silenciando objeções de segurança durante a venda.

A reestruturação em torno do ERJ-145 correspondeu a uma mudança real de mercado, e o bloco francês de 20% de 1999 abriu canais de exportação.

A privatização salvou o que os subsídios não conseguiram: um orçamento rígido e o apetite pelo risco de produto só chegaram depois que o Estado deixou de absorver prejuízos, enquanto uma golden share manteve vivos os vetos de segurança.

A Embraer usou a liberdade da era privada para criar a família E-Jet, tornando-se uma das principais fabricantes de aeronaves comerciais do mundo fora do duopólio e a força dominante nos jatos executivos de porte médio; em 2018, figurava como a terceira maior exportadora do Brasil. O bloco de controle Previ-Sistel-Bozano foi desfeito em uma reforma de governança em 2006 que deu voto a todas as ações. O Brasil ainda detém a golden share, e em 2018 a Boeing concordou em comprar 80% da divisão de aviação comercial da Embraer por US$ 4,2 bilhões.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Como Embraer foi da quase falencia a acordo bilionario com a Boeing BBC News Brasil (via UOL) · economia.uol.com.br ·
  2. Form 20-F for fiscal year 2002 (privatization, golden share, edital ownership cap, financials) U.S. Securities and Exchange Commission (Embraer filing) · sec.gov ·
  3. Desestatizacao - Privatizacao Federais - PND (programme record listing Embraer) BNDES · bndes.gov.br
  4. Governo: Acordo entrega Embraer a franceses, diz Aeronautica Folha de S.Paulo · www1.folha.uol.com.br ·