No fim de 1981, a Johns Manville — empresa cujo nome era sinônimo de isolamento de amianto — enfrentava cerca de 9.300 ações movidas por 12.800 pessoas, e seus consultores projetavam mais 32.000 casos nas duas décadas seguintes, além dos 16.500 já protocolados. Os custos potenciais com litígios foram estimados em US$ 2 bilhões, o dobro dos ativos da empresa. A Manville omitiu seu dividendo pela primeira vez em 42 anos e, em 26 de agosto de 1982, pediu recuperação judicial pelo Chapter 11 — na época, a maior empresa da história dos Estados Unidos a fazê-lo.

O plano de reorganização, protocolado em 14 de fevereiro de 1986 e moldado por Leon Silverman, advogado nomeado pelo tribunal para os futuros credores desconhecidos, criou dois trusts: um para indenizações por danos pessoais e outro para danos materiais. Os trusts receberiam dinheiro, lucros futuros, ações, títulos e pagamentos de seguros no valor de pelo menos US$ 2,5 bilhões — o fundo de saúde começando com US$ 1 bilhão mais US$ 75 milhões por ano a partir de 1992 — e os credores mantiveram o direito a julgamento por júri caso rejeitassem uma indenização do trust.

O preço recaiu sobre os acionistas, cuja participação foi reduzida a quase nada. O novo CEO, W. Thomas Stephens, passou os anos de proteção reconstruindo a empresa operacional em torno de seus negócios principais e do fluxo de caixa de que o trust precisaria; os lucros dobraram para um recorde de US$ 164 milhões em 1987, e a Manville saiu do Chapter 11 em 1988.

A empresa que saiu da proteção judicial havia sido reconstruída internamente — unidades descentralizadas, novos programas de incentivo, uma sede menor em Denver — e continuou: uma troca de ativos de cobertura em 1993 com a Owens Corning, o retorno ao nome Johns Manville em 1997 e, após o colapso, em dezembro de 2000, de uma compra de US$ 2,4 bilhões pela Hicks, Muse, Tate & Furst, uma oferta de US$ 1,96 bilhão da Berkshire Hathaway em poucas semanas. A Berkshire concluiu a compra em 2001. As vendas de US$ 2 bilhões em 2003 depois cresceram para mais de US$ 4,5 bilhões por ano sob seu novo proprietário.

Trust financiado com pelo menos US$ 2,5 bilhões; lucro recorde de US$ 164 milhões em 1987, ainda sob proteção judicial; a Berkshire pagou US$ 1,96 bilhão por ela em 2001, e as vendas depois ultrapassaram US$ 4,5 bilhões.

A aritmética forçou uma resposta estrutural: cerca de US$ 2 bilhões em indenizações estimadas contra uma empresa valendo aproximadamente metade disso significava que cada trimestre de litígio tornava a resolução final pior.

Financiar os trusts com ações e lucros futuros alinhou a recuperação das vítimas à sobrevivência da empresa — os credores seriam pagos por um negócio saudável, e não por um negócio liquidado.

Negociar com um representante nomeado pelo tribunal para futuros credores ainda não diagnosticados tornou o acordo definitivo, fechando a porta para a responsabilidade aberta que havia paralisado a empresa.

Os anos de recuperação judicial foram usados para corrigir as operações, e não apenas para esperar: um lucro recorde de US$ 164 milhões em 1987 significava que o trust tinha um pagador e os credores tinham garantia na saída.

Quando um passivo legado supera o valor da empresa, não litigue indenização por indenização: financie um trust com capital próprio e caixa futuro, pague as vítimas antes dos acionistas e libere o negócio para operar.

O trust ficou sem recursos em 1990, à medida que as indenizações superaram as previsões; um tribunal congelou os pagamentos naquele julho, e a Manville concordou em acrescentar até US$ 520 milhões ao longo de sete anos. Após uma saga de mudanças de nome nos anos 1990 — Schuller, depois de volta a Johns Manville em 1997 —, o trust vendeu sua participação e, após o fracasso do negócio com a Hicks Muse, a Berkshire Hathaway comprou a empresa por US$ 1,96 bilhão em 2001. A Johns Manville continua sendo uma subsidiária da Berkshire, com vendas anuais acima de US$ 4,5 bilhões e 46 fábricas — e sua estrutura de trust tornou-se o modelo para quase todas as recuperações judiciais por amianto desde então, incluindo as da Owens Corning e da W.R. Grace.

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As fontes

  1. Johns Manville Corporation Company History (International Directory of Company Histories) Funding Universe · fundinguniverse.com
  2. Johns Manville Wikipedia · en.wikipedia.org