A petroleira OGX, de Eike Batista, entrou com pedido de recuperação judicial em 30 de outubro de 2013, sob mais de R$ 13,8 bilhões de dívida. O juiz do caso observou que a empresa gerava mais de mil empregos diretos no setor de petróleo e gás e que o inadimplemento com seus fornecedores 'arrastaria muitas empresas à falência' junto com ela — o argumento da função social para mantê-la viva em vez de liquidá-la.

Os credores aprovaram o plano em 3 de junho de 2014, e a 4ª Vara Empresarial do Rio o homologou em 13 de junho. O acordo converteu US$ 5,8 bilhões de dívida em ações representativas de 25% do capital da empresa reestruturada, além de US$ 215 milhões em debêntures garantidas com superprioridade, conversíveis em outros 65% — entregando cerca de nove décimos do capital da OGX a quem ela devia. Um aumento de capital em outubro de 2014 que executou as conversões tornou-se, nas palavras da empresa, o 'marco importante' da reestruturação.

Em 2 de agosto de 2017, o mesmo juízo declarou cumpridas todas as obrigações do plano e encerrou a recuperação judicial — menos de três anos e dez meses após o pedido. A sobrevivente, então operando como Dommo Energia, manteve seus direitos na Bacia de Campos. Em 1º de setembro de 2022, a PetroRio assinou memorando com a Prisma Capital, controladora da Dommo, para absorver a empresa: os detentores de cada ação da Dommo receberiam 0,05 ação da PetroRio ou R$ 1,85 em dinheiro no prazo de 90 dias.

A recuperação judicial foi encerrada em menos de quatro anos com a empresa ainda produzindo; seus direitos remanescentes na Bacia de Campos foram incorporados à PetroRio (PRIO3) em uma combinação em 2022.

A troca de dívida por 90% do capital alinhou os credores com a sobrevivência da empresa, em vez de forçar uma liquidação a qualquer preço.

As debêntures com superprioridade atraíram capital de resgate ao prometer pagamento à frente de todos os demais créditos.

O juiz deferiu aos credores a decisão sobre a viabilidade econômica do plano, evitando anos de litígio sobre se a OGX poderia ser salva.

A casca reestruturada ainda detinha direitos de receita de campos produtores — ativos reais que a PetroRio mais tarde pagou para consolidar.

Quando a dívida supera em muito o capital, os credores SÃO a empresa: converter créditos em controle preservou um operador produtor que a liquidação teria destruído.

O único ativo remanescente da Dommo em 2022 era o direito a 5% da receita, líquida de royalties, dos campos de Tubarão Martelo e Polvo — um conjunto operado pela PetroRio que produzia cerca de 17.500 barris de petróleo por dia. A combinação, sujeita à aprovação dos acionistas e do Cade, daria à PetroRio 100% dos campos e incorporaria a última peça do império petrolífero colapsado de Batista ao grupo brasileiro PRIO3.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Justiça aprova plano de recuperação judicial da OGX, de Eike Batista G1 (Globo) · g1.globo.com ·
  2. Termina recuperação judicial da petroleira OGX, de Eike Batista ConJur · conjur.com.br ·
  3. Petrorio (PRIO3) firma contrato para combinação de negócios com Dommo (DMMO3) InfoMoney · infomoney.com.br ·