A Cheniere foi a pioneira americana nas exportações de GNL, mas, em agosto de 2015, o fundador Charif Souki gastava bilhões antes de haver receita, em plena queda do petróleo, e a ação estava em queda livre. Carl Icahn protocolou um 13D em 6 de agosto de 2015. Em duas semanas, a Cheniere assinou um acordo de indicação e standstill que concedeu duas cadeiras no conselho aos indicados de Icahn, Jonathan Christodoro e Samuel Merksamer; o documento mostra que o grupo de Icahn detinha então 19.353.530 ações. Icahn continuou comprando na baixa e chegou a quase 14% no início de dezembro.
Em 14 de dezembro de 2015, Souki saiu, e Neal Shear, ex-chefe de commodities do Morgan Stanley, tornou-se CEO interino. Icahn parabenizou publicamente o conselho por "ter coragem" de fazer a mudança. Souki disse depois que a ruptura não foi por seu desempenho, mas "por ele não fazer o que Icahn queria que ele fizesse", acrescentando que Icahn "achava que poderíamos começar a distribuir fluxo de caixa em 2016. Isso não ia acontecer."
A guinada ocorreu conforme o previsto. Em fevereiro de 2016, o Trem 1 do projeto Sabine Pass produziu seu primeiro GNL, e em maio de 2016 o conselho nomeou Jack Fusco, ex-chefe da Calpine, como presidente e CEO — um operador conhecido por administrar usinas para gerar caixa, e não para expansão. A tese do ativista, registrada quando o projeto principal ainda não estava comprovado, tornou-se política da empresa antes de o primeiro carregamento zarpar.
Souki saiu em dezembro de 2015; Jack Fusco foi contratado como CEO em maio de 2016; o Trem 1 produziu o primeiro GNL em fevereiro de 2016; até 2022, Icahn havia contabilizado mais de US$ 1,3 bilhão em ganhos.
A tese estava registrada antes do desfecho: o 13D e o acordo de agosto exigiam disciplina de gastos enquanto a planta de exportação ainda estava incompleta.
A Cheniere estava se refinanciando sob pressão — uma linha de crédito de US$ 2,8 bilhões em fevereiro de 2016 substituiu notas garantidas vincendas —, sem espaço para os projetos paralelos de expansão do fundador.
Os dois indicados de Icahn integravam os comitês de governança e de remuneração, de modo que a pressão operava dentro da sala do conselho, e não por meio de uma disputa de procurações.
O primeiro carregamento estava a apenas alguns meses de distância, então o ativo era recuperável; a disputa era sobre quem o administraria e com que finalidade.
Quando um ativista com 14% de uma construtora que queima caixa diz que os gastos param, o plano do fundador perde. A Cheniere sobreviveu ao excesso de oferta de GNL porque a disciplina chegou antes do primeiro carregamento.
Fusco comandou a Cheniere durante o excesso de oferta de GNL de 2016-2020 sem reestruturação e a transformou na maior exportadora de GNL dos Estados Unidos. Em junho de 2022, a Cheniere usou sua autorização de recompra de US$ 1 bilhão para recomprar 2,68 milhões de ações da Icahn Enterprises a US$ 130,52, cerca de US$ 350 milhões, deixando Icahn abaixo do limite de 7.741.412 ações que mantinha um indicado no conselho. Icahn disse que o investimento havia produzido mais de US$ 1,3 bilhão em ganhos realizados e não realizados e atribuiu à sua atuação a nomeação de Fusco, "que destravou valor". Souki passou a fundar a Tellurian, um empreendimento rival de GNL.
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As fontes
- Cheniere Energy SC 13D/A: Nomination and Standstill Agreement with the Icahn Group SEC EDGAR · sec.gov ·
- Cheniere names interim CEO The Star (Reuters) · thestar.com.my ·
- Charif Souki: Carl Icahn behind my Cheniere departure CNBC · cnbc.com ·
- Cheniere Energy Form 10-Q (first quarter 2016): first LNG produced from Train 1 in February 2016 SEC EDGAR · sec.gov ·
- Cheniere (LNG) to Repurchase Shares Worth $350M From Icahn Zacks (via Yahoo Finance) · uk.sports.yahoo.com