A Cricut fabrica máquinas de corte usadas por milhões de artesãos domésticos — dispositivos semelhantes a impressoras que recortam designs em papel, vinil, tecido e outros materiais. Os proprietários sempre puderam importar quantos designs próprios quisessem para o software da empresa. Em março de 2021, a empresa anunciou que imporia uma assinatura mensal de US$ 7,99 a qualquer pessoa que fizesse upload de mais do que um punhado de padrões por mês civil — uma taxa voltada não apenas para novos usuários, mas para os milhões que já haviam pago centenas de dólares por uma máquina e seus acessórios.

A reação da comunidade de artesanato foi rápida e furiosa. Em poucos dias, o CEO Ashish Arora recuou parcialmente da política, afirmando que qualquer máquina comprada antes de 31 de dezembro de 2021 manteria acesso ilimitado para sempre. Dias depois, ele desistiu completamente: 'tomamos a decisão de reverter nossos planos anteriormente compartilhados. Neste momento, todos os membros podem fazer upload de um número ilimitado de imagens e padrões para o Design Space gratuitamente, e não temos intenção de mudar esta política.'

A reversão ocorreu no mesmo mês em que a Cricut protocolou um pedido de oferta pública inicial, e a Ars Technica observou que a vitória poderia ser impermanente: uma empresa de capital aberto ainda precisa de crescimento de receita, e o modelo de tudo-como-serviço continua sendo uma tentação. A Cricut também não foi a primeira empresa a tentar impor uma taxa obrigatória de forma retroativa — e, previu o repórter, provavelmente não será a última.

Preservou a boa vontade de milhões de artesãos domésticos semanas antes de sua IPO: a taxa de US$ 7,99 foi totalmente descartada, com uploads gratuitos ilimitados garantidos por escrito pelo CEO.

A política abortada cruzou uma linha que a maioria dos avanços de assinatura evita: cobrar por funcionalidade em dispositivos que os clientes já haviam comprado integralmente, sem grandfathering inicialmente.

A reversão veio em duas etapas visíveis — uma isenção com data, depois um recuo completo com uma promessa permanente — mostrando que meias-retiradas não pacificaram a comunidade.

O episódio é um caso de referência para empresas de hardware que vislumbram receita recorrente de software: o poder de veto da comunidade de proprietários foi forte o suficiente para matar o plano em uma semana.

Taxas retroativas sobre hardware já vendido soam como traição; um recuo parcial com prazo não encerra uma revolta — apenas uma reversão completa com uma promessa permanente o fez.

Conforme o artigo, todos os membros da Cricut podiam fazer upload de designs ilimitados gratuitamente, com o CEO se comprometendo publicamente a manter assim; a empresa havia acabado de protocolar pedido de IPO, e observadores esperavam que ideias de receita recorrente retornassem de alguma forma.

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As fontes

  1. Cricut fully abandons plans to make device owners pay subscription fee Ars Technica · arstechnica.com