As Galeries Lafayette pertencem à mesma família desde 1893. Em 2014, sua quinta geração, Nicolas Houzé, assumiu o comando com o pai, Philippe, como presidente executivo do grupo, justamente quando o comércio eletrônico corroía as lojas de departamento francesas. Ele apostou na expansão externa: lojas em Dubai, Pequim, Jacarta e Istambul, uma participação na La Redoute e a compra da BazarChic, além de um plano para dobrar a fatia internacional da receita.

Então chegou a COVID. Os confinamentos fecharam os 30% das lojas do grupo que geram 70% da receita, colocaram 7.000 funcionários em layoff e cortaram o fluxo dos compradores estrangeiros, que respondiam por 60% das vendas da flagship da Haussmann. Houzé declarou à imprensa francesa em fevereiro de 2021 que não esperava voltar aos níveis de 2019 antes de 2024.

Sua resposta foi encolher o grupo em vez de vendê-lo. Em janeiro de 2021, o grupo obteve um empréstimo de 300 milhões de euros garantido pelo Estado e confirmou um plano de 189 cortes de postos na sede e em sua divisão de varejo de viagens; em agosto de 2021, franqueou mais 11 lojas provinciais a operadores locais. A família manteve a marca, a flagship e a propriedade integral, entregando as lojas que já não conseguia financiar a quem podia.

Propriedade familiar intacta: um empréstimo de 300 milhões de euros garantido pelo Estado, 11 lojas provinciais franqueadas e a flagship mantendo as operações rumo a uma recuperação em 2024.

As lojas de departamento vinham perdendo clientes para o comércio eletrônico havia uma década, e a pandemia eliminou até o fluxo turístico que sustentava as flagships.

Sessenta por cento da receita da flagship da Haussmann vinha de visitantes estrangeiros, de modo que o fechamento das fronteiras atingiu a joia da coroa com mais força do que a loja média da rede.

As famílias se recusaram a vender: um empréstimo de 300 milhões de euros garantido pelo Estado saía mais barato do que diluir cinco ramos de herdeiros.

O franqueamento das lojas provinciais transferiu seus custos fixos para operadores locais, mantendo a marca presente em toda a França.

Um herdeiro que vende lojas construídas por seus antepassados cumpre a metade difícil da sucessão: herdar uma empresa importa menos do que aquilo que a próxima geração ousa encolher quando a crise chega.

A família manteve o grupo e a flagship da Haussmann, com o objetivo de retornar ao nível de receita de 2019 até 2024. A poda tornou-se permanente: onze lojas provinciais passaram a franqueados só em 2021. Em julho de 2025, Houzé transferiu a direção executiva do dia a dia a Arthur Lemoine, permanecendo presidente do conselho executivo — a quinta geração ainda no comando e explícita sobre seu papel de ponte: "Vejo-me como uma ligação entre a quarta e a sexta geração, cuidando para deixar a empresa à próxima geração em melhor forma do que quando assumi."

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Taking Charge Of The Future: Galeries Lafayette CEO Nicolas Houzé Entrepreneur ME · entrepreneur.com ·
  2. Les Galeries Lafayette visent 2024 pour retrouver leur niveau d'avant-crise BFM Business · bfmtv.com ·
  3. Les Galeries Lafayette obtiennent leur PGE de 300 millions d'euros Les Échos · lesechos.fr ·
  4. Galeries Lafayette to Franchise 11 Stores in France WWD · wwd.com ·