A Zelezara Smederevo, fundada em 1913, era a siderúrgica símbolo da Iugoslávia socialista e entrou em decadência com as sanções dos anos 1990. A US Steel comprou a usina falida em 2003 por 23 milhões de dólares, mas em janeiro de 2012 a devolveu ao Estado sérvio por um dólar, quando os preços do aço despencaram, deixando 5.400 funcionários e pesados passivos. Os dois altos-fornos foram desligados até meados de 2012 e 5.000 trabalhadores entraram em licença remunerada; licitações repetidas não encontraram nenhum proponente sério. A Sérvia perdia cerca de 10 milhões de dólares por mês para manter a usina viva.

Em abril de 2016, o Grupo Hesteel, sediado em Hebei, comprou a usina por 46 milhões de euros e se comprometeu com cerca de 300 milhões de dólares em investimentos ao longo de dois anos, incluindo uma linha de galvanização, com o objetivo de elevar a produção de 875.000 para cerca de 2,1 milhões de toneladas. As duas linhas de produção voltaram à capacidade total. Segundo a reportagem do China Daily em Smederevo, a aquisição encerrou sete anos de prejuízos e a usina voltou a dar lucro no fim de 2016, com salários cerca de 8% acima dos níveis anteriores à aquisição e uma meta de receita para 2017 próxima de 800 milhões de dólares — mais de 2% do PIB da Sérvia.

No fim de 2018 e no início de 2019, observam pesquisadores da Review of International Affairs, de Belgrado, a Hesteel Serbia havia se tornado o maior exportador do país. A reviravolta preservou uma cidade de indústria única e transformou um passivo subsidiado na joia da coroa da presença de investimentos chineses nos Bálcãs.

A história não é isenta de riscos: as cotas de salvaguarda da UE limitaram as importações de aço a partir de 2019, produtores europeus acusaram usinas de propriedade chinesa de dumping, e a pandemia forçou um fechamento parcial em 2020. Mas a transformação central se manteve — uma usina que o Estado não conseguia doar havia se tornado o principal exportador do país sob uma gestão industrial disciplinada.

A usina voltou a dar lucro no fim de 2016, com salários 8% maiores; em 2018-19, a Hesteel Serbia havia se tornado o maior exportador da Sérvia, com cerca de 5.000 empregos preservados.

A Hesteel operava siderúrgicas integradas comparáveis em escala, de modo que pôde religar os fornos ociosos com seus próprios engenheiros em vez de aprender na prática.

A posição da Sérvia lhe dava acesso com vantagem tarifária aos mercados de aço europeu e do Oriente Médio justamente quando a China cortava o excesso de capacidade doméstica.

O Estado sérvio, drenado por perdas mensais e licitações fracassadas, finalmente teve motivação para fechar a um preço baixo em vez de esperar por mais.

A aposta de 300 milhões de dólares em modernização foi pela qualidade — aço galvanizado para o mercado da UE — e não apenas por religar o volume antigo.

Um ativo em dificuldade se recupera quando seu comprador opera o mesmo negócio em escala e financia a modernização ao longo do ciclo. Um preço baixo ainda é uma vitória se põe fim ao sangramento e salva a cidade.

A Hesteel (renomeada HBIS Group) continuou se expandindo, e o destino da usina permaneceu atrelado à política comercial: a salvaguarda siderúrgica de 2019 de Bruxelas forçou negociações de exportação, e em 2020 a queda da demanda na UE trouxe uma paralisação parcial. Ainda assim, a planta continuou sendo o maior exportador individual da Sérvia, e a venda de Smederevo tornou-se o caso-modelo citado nos debates sobre se as aquisições industriais chinesas resgatam ou capturam as economias dos Bálcãs.

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As fontes

  1. Investment from China helps give steel mill new life China Daily · chinadaily.com.cn ·
  2. The Results and Risks of China's Belt and Road Investment Projects in Serbia The Review of International Affairs (Belgrade), Katarina Zakić · doi.org
  3. Serbia's Deals With China Reveal Flawed Business Strategy Balkan Insight (BIRN) · balkaninsight.com ·