A Legend Holdings começou em 1984 como um empreendimento semeado pela Academia Chinesa de Ciências, a empresa de informática afiliada ao instituto que Liu Chuanzhi transformou na Lenovo. A estrutura que emergiu foi a reforma interessante: a Academia permaneceu como acionista estatal controladora — mas cada vez mais diluída —, enquanto a equipe de gestão de Liu administrava um grupo voltado ao mercado que, em 2001, separou o negócio de computadores Lenovo da controladora, mantendo Liu como presidente da Legend Holdings para administrar o portfólio mais amplo.
Em 2011, Liu disse à Forbes que o grupo tinha a Legend Holdings "em sua mira" para uma listagem em Hong Kong, e esboçou o segundo ato: a diversificação para longe da TI, rumo a serviços, imóveis, processamento de carvão e — acima de tudo — agricultura, que ele chamou de próxima área estratégica de desenvolvimento do grupo. Ele enquadrou tudo em torno do consumidor chinês, com qualquer investimento no exterior avaliado por como alimentava a franquia doméstica.
O braço agrícola, a Joyvio, passou do piloto à consolidação: em 2014 já havia entrado em mirtilos e kiwis e, em março de 2014, pagou mais de 30 milhões de yuans por 60% da Hangzhou Longguan Tea, uma empresa de chá totalmente estatal sob a Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, com Liu dizendo que o objetivo era levar inovação e métodos comerciais à indústria do chá. O grupo semeado pelo Estado agora estava adquirindo e reformando outros ativos estatais.
O empreendimento apoiado pela Academia tornou-se acionista controlador da Lenovo e um grupo diversificado, comprando ativos estatais de chá por meio da Joyvio e rumo a uma listagem em Hong Kong até 2011.
A decisão da Academia de semear e depois diluir — em vez de controlar de forma absoluta — deu a gestores como Liu a estrutura de incentivos que as estatais puras não tinham.
Separar a Lenovo, fabricante de computadores, da Legend Holdings, controladora de investimentos, em 2001 permitiu que cada negócio funcionasse no seu próprio ritmo: o hardware na velocidade global, o portfólio na velocidade da capitalização composta.
A agricultura deu à holding uma história de crescimento do consumidor que os mercados de capitais podiam subscrever, razão pela qual Liu ancorou nela o plano de listagem.
Comprar participações em fornecedores estatais, como a empresa de chá Longguan, permitiu ao grupo aplicar métodos privados dentro de ativos públicos em vez de lutar contra o setor estatal.
A reforma das estatais chinesas funcionou onde o Estado permaneceu um acionista paciente e deixou os gestores correrem para os mercados. A Academia semeou a empresa e depois se diluiu enquanto os fundadores construíam uma máquina de capital.
A Legend Holdings obteve aprovação da bolsa de Hong Kong para seu IPO em junho de 2015, completando a jornada do financiamento-semente da Academia rumo aos mercados públicos, com a Academia ainda como sua maior acionista. A estrutura de holding — Lenovo, Legend Capital, Hony Capital, Joyvio — tornou-se o modelo que institutos chineses estudaram para comercializar seus próprios empreendimentos, e a aposta de Liu na agricultura amadureceu em uma plataforma nacional de frutas e sucos ao lado dos investimentos financeiros do grupo.
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As fontes
- Liu Chuanzhi Has Legend Holdings In His Sights Forbes · forbes.com ·
- Legend Holdings invests in green tea company ECNS (China News Service) · ecns.cn ·
- Legend Holdings seeks $3bn Hong Kong floatation International Business Times UK · ibtimes.co.uk ·