A Telmex era majoritariamente estatal desde 1972, quando o governo federal mexicano adquiriu a maior parte de seu capital social. Como concessionária estatal, sofria com falta de investimentos: a penetração telefônica no México estava muito atrasada e a empresa não conseguia financiar a expansão de que o país precisava.

Em dezembro de 1990, o governo vendeu ações que representavam o controle acionário a um grupo liderado pelo Grupo Carso e encabeçado por Carlos Slim, com a France Telecom e a Southwestern Bell como parceiras; o Estado vendeu sua participação restante em uma série de transações a partir de maio de 1991. A concessão de 1976 da Telmex havia sido alterada em agosto de 1990, concedendo aos novos proprietários um marco regulatório de mais de 30 anos com obrigações de expansão de linhas.

Os novos proprietários apostaram em pesados investimentos na rede em vez de apenas explorar o monopólio. A Telmex digitalizou centrais telefônicas, ampliou a capacidade de longa distância e levou linhas a regiões carentes, transformando a economia de listas de espera da era estatal em crescimento constante de assinantes.

Por ocasião de seu registro na SEC em 2005, a Telmex informou que as linhas fixas em serviço passaram de 12,07 milhões em 2000 para 17,17 milhões em 2004, e que as contas de acesso à internet cresceram de 634 mil para 1,74 milhão no mesmo período — a base de escala a partir da qual Slim construiu a América Móvil, desmembrada em 2000.

As linhas fixas em serviço cresceram de 12,1 milhões em 2000 para 17,2 milhões em 2004; as contas de internet quase triplicaram, chegando a 1,74 milhão no mesmo intervalo.

A alteração da concessão de 1990 deu aos compradores segurança regulatória por décadas antes de comprometerem capital.

A demanda reprimida era enorme, de modo que cada linha adicionada encontrava imediatamente um cliente pagante.

O grupo de Slim tratou as obrigações da licença como um motor de crescimento, não como um fardo de conformidade.

A integração local e de longa distância permitiu à Telmex monetizar cada assinante em todos os serviços.

Um monopólio regulado com metas garantidas de expansão de linhas pode ser uma máquina de acumulação: comprar a concessão, investir à frente da demanda e deixar a escala fazer o trabalho.

A Telmex tornou-se o motor de caixa do império de Slim: desmembrou sua divisão de telefonia móvel como América Móvil em 2000, que se tornou a maior operadora móvel da América Latina. O domínio da Telmex no pós-privatização posteriormente atraiu um caso na OMC (DS204) sobre os termos de interconexão. Slim tornou-se, por um tempo, o homem mais rico do mundo.

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As fontes

  1. Telmex Form 20-F annual report for 2004 (history of 1972 state control and December 1990 sale) SEC EDGAR · sec.gov ·
  2. DS204: Mexico — Measures Affecting Telecommunications Services World Trade Organization · wto.org