O serviço telefônico do México, operado pela estatal Teléfonos de México desde 1972, era uma vergonha nacional no fim dos anos 1980: novos clientes esperavam até três anos por uma linha, o México tinha apenas 4,9 linhas por 100 habitantes em 1989, e oito em cada dez domicílios não tinham telefone. O governo vinha drenando os lucros da empresa para financiar o orçamento, deixando-a sem investimento.
Em dezembro de 1990, como parte de um programa de privatização de oito anos, o Estado vendeu 20,4% das ações da Telmex e o controle acionário por US$ 1,76 bilhão a um consórcio liderado pelo Grupo Carso, de Carlos Slim, com a Southwestern Bell e a France Télécom. A estrutura deu aos compradores 51% das ações com direito a voto, de modo que o controle da gestão — e não apenas uma participação acionária — mudou de mãos.
Os novos donos modernizaram sem trégua. Até 2000, cerca de US$ 17 bilhões haviam sido investidos no setor: a penetração de telefones fixos subiu de 6,4 para 10,6 linhas por 100 habitantes, a espera média por instalação caiu de dois anos para 25 dias, e a rede tornou-se totalmente digital. Ofertas subsequentes em 1991 e 1992 levantaram mais US$ 3,7 bilhões para o Estado, à medida que sua participação encolheu até zero em 1994.
A venda de 1990 levantou US$ 1,76 bilhão pelo controle; até 2000, US$ 17 bilhões investidos, a densidade de linhas subiu de 6,4 para 10,6 por 100, e as esperas caíram de dois anos para 25 dias.
Vender uma participação controladora, e não apenas ações, deu aos compradores tanto o incentivo quanto a autoridade para investir numa rede que o Estado havia deixado definhar.
Os compradores trouxeram o que faltava à estatal: moeda forte, além da experiência operacional da Southwestern Bell e da tecnologia da France Télécom.
Um benefício fiscal vinculado ao reinvestimento direcionou o dinheiro para a rede em vez do tesouro.
Ofertas globais escalonadas permitiram ao governo monetizar sua participação remanescente à medida que a recuperação avançava.
Venda o controle, não apenas ações, e vincule a venda a um plano de investimento: proprietários com capital e tecnologia transformaram um monopólio definhado no motor de uma expansão nacional.
A Telmex manteve sua posição dominante até os anos 2000, e Carlos Slim construiu uma das maiores fortunas do mundo em grande parte com base em seus fluxos de caixa. A venda continua sendo a referência do programa de privatização do México — levantou dinheiro, modernizou a infraestrutura e criou um campeão privado — mesmo que críticos tenham apontado depois para as proteções de monopólio que tornaram a Telmex tão lucrativa.
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As fontes
- Telmex Privatization is First International Equity Offering from a Mexican Corporation Goldman Sachs (company history) · goldmansachs.com
- Mexico Chooses Lead Buyer for Its Phone System Los Angeles Times · latimes.com
- ECONOMY-MEXICO: Telecoms Growing by Leaps and Bounds Inter Press Service · ipsnews.net