Murat Ulker transformou a fabricante de biscoitos turca de sua família em um império global de doces: US$ 850 milhões pela Godiva em 2007, depois a DeMet's Candy e um acordo de US$ 3,2 bilhões pela United Biscuits em 2014, incorporada à pladis, sediada em Londres. As aquisições foram financiadas com pesada dívida em moeda estrangeira — justamente quando a lira perdeu mais de 40% do seu valor, elevando os pagamentos mensais de empréstimos para acima de US$ 1 bilhão.
Em fevereiro de 2018, a Yildiz procurou seus bancos antes de entrar em default e pediu que consolidassem os empréstimos. Em maio, assinou a maior reestruturação de dívida da história da Turquia: US$ 5,5 bilhões dos seus US$ 8,5 bilhões em dívidas foram refinanciados como um empréstimo de quatro anos prorrogável por mais quatro, com quase todo o imobiliário doméstico e alguns ativos no exterior dados como garantia. Oito bancos, do Yapi Kredi ao braço turco do HSBC, participaram.
Para reduzir a dívida, a Yildiz vendeu partes em vez do todo: em 2019, as operações da Godiva no Japão, Coreia, Austrália e Nova Zelândia — cerca de 300 lojas mais uma fábrica na Bélgica, avaliadas em US$ 1–1,5 bilhão — foram para a sul-coreana MBK Partners, enquanto a Yildiz manteve a marca Godiva e seus demais mercados. O grupo emergiu menor, mas solvente, ainda dono da pladis, da Ulker e do negócio central da Godiva.
A maior reestruturação de dívida da Turquia: US$ 5,5 bilhões refinanciados em prazos de 4+4 anos, mais cerca de US$ 1 bilhão com a venda do braço da Godiva na Ásia-Pacífico para a MBK — dívida reduzida, marcas mantidas.
A empresa procurou os bancos proativamente em fevereiro de 2018, antes de deixar de pagar, o que manteve os credores cooperativos.
Oferecer quase todo o imobiliário como garantia deu aos bancos um motivo para prorrogar os vencimentos em vez de confiscar ativos.
A venda do braço da Godiva na Ásia-Pacífico levantou cerca de US$ 1 bilhão sem entregar a própria marca.
Os fluxos de caixa centrais turcos, vindos da Ulker e do varejo da Sok, continuaram a servir a dívida durante a crise.
Comprar marcas globais com dívida de curto prazo em moeda estrangeira é fatal quando sua moeda cai pela metade — a solução é reestruturar cedo, dar tudo como garantia e vender as joias da coroa antes que os bancos o obriguem a isso.
A reestruturação da Yildiz tornou-se o modelo para os conglomerados turcos — a Dogus Holding e outras seguiram o exemplo em poucos meses. O grupo continuou a enxugar ativos não essenciais, manteve a pladis como uma das maiores fabricantes de biscoitos do mundo, e Murat Ulker permaneceu o homem mais rico da Turquia, embora o império nunca tenha recuperado o apetite de aquisições anterior a 2014.
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As fontes
- Turkish owner of Godiva chocolate to restructure $6.5 billion of debt Reuters via Yahoo Finance · sg.finance.yahoo.com ·
- Godiva owner reaches deal to restructure $5.5b loans Gulf News · gulfnews.com ·
- MBK Partners to acquire Godiva's APAC operations for US$1b The Investor · theinvestor.co.kr ·