O Bank Danamon foi um dos bancos indonésios arrasados pela crise financeira asiática de 1998: foi colocado sob a Agência Indonésia de Reestruturação Bancária (IBRA) como banco assumido, e em junho de 1999 o governo o recapitalizou junto com os demais bancos BTO de 1998. Em 2003, o Estado ainda detinha 99% do banco.

O ponto de virada foi a propriedade. Em maio de 2003, a IBRA vendeu 51% do Danamon a um consórcio formado pela Temasek Holdings, de Singapura, e pelo Deutsche Bank, atuando por meio da Asia Financial Indonesia, por Rp3tn (cerca de US$350m). Os novos donos instalaram nova administração e uma estratégia de banco universal estruturada em segmentos claramente definidos — microfinanças por meio do Danamon Simpan Pinjam, PMEs e financiamento de automóveis por meio da Adira.

O modelo produziu uma rápida recuperação. Em 2005, o Danamon obteve lucro líquido após impostos de Rp2.003bn, reduziu os NPLs brutos para 2,6%, ante 4%, manteve um índice de adequação de capital de 23,5% e cresceu os empréstimos em 22%, com 54% destinados a clientes de micro e pequenas e médias empresas; o lucro normalizado subiu 7%.

Em 2006, o banco reportou alta de 16% no lucro líquido normalizado, NPLs de 3,3% contra uma média do setor de 8,09%, índice de adequação de capital de 20,4% e ativos totais de Rp82tn — um dos bancos privados mais lucrativos e mais bem capitalizados da Indonésia.

De uma casca 99% estatal a rentabilidade de primeira linha: lucro líquido de Rp2.003bn em 2005, NPLs reduzidos a 2,6%, CAR de 23,5%; em 2006, os NPLs eram de 3,3% contra uma média setorial de 8,09%.

Um acionista estrangeiro controlador trouxe governança, sistemas e disciplina de capital que o antigo dono não conseguia oferecer.

Modelos de negócio específicos por segmento — microfinanças, PMEs, automóveis — criaram crescimento de crédito repetível e diversificado.

A constituição disciplinada de provisões manteve os NPLs muito abaixo da média setorial ao longo de toda a recuperação.

A recapitalização pelo governo seguida de uma venda estratégica evitou a liquidação e preservou a franquia.

Um banco que quebra numa crise sistêmica pode ser reconstruído se o Estado o recapitalizar e vender o controle a donos com governança e estratégia por segmento — a solução está na propriedade e no foco, não apenas no capital.

O Danamon sustentou o modelo até o fim da década de 2000, permanecendo um dos bancos mais lucrativos da Indonésia, e sua rede de microfinanças Danamon Simpan Pinjam tornou-se uma referência do crédito popular indonésio. A venda de 2003 também marcou o momento em que a propriedade estrangeira retornou ao setor bancário indonésio após a crise, estabelecendo o modelo para vendas posteriores de bancos.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Indonesia Letter of Intent, July 22, 1999 (bank restructuring section) International Monetary Fund · imf.org ·
  2. Temasek公司与德意志银行中标印尼第5大银行 Sina Finance (International Finance News) · finance.sina.cn ·
  3. Laba Bersih Bank Danamon 2005 Terpangkas 16,8% detikFinance · finance.detik.com ·
  4. Laba Bersih Bank Danamon Turun 34 Persen Antara News · antaranews.com ·