Em 7 de outubro de 2026, a juíza de São Paulo Larissa Tunala aprovou a reestruturação extrajudicial da dívida do GPA e rejeitou objeções de credores, entre eles a Casas Bahia, que alegava que o plano agrupava indevidamente créditos de naturezas diferentes. O GPA pode agora deixar as disputas judiciais para trás e dedicar-se a corrigir as operações. O plano reduz de R$ 4,5 bilhões para R$ 2,1 bilhões a dívida financeira da controladora do Pão de Açúcar, e suas ações fecharam em alta de 4,15% no dia. Detentores de 57,5% da dívida — entre eles Itaú Unibanco, HSBC, BTG Pactual, Rabobank e Itaú Asset — a haviam aprovado no início de maio, mas as contestações a travaram até a decisão.

A reestruturação conduzida pelo CEO Alexandre Santoro encolhe a companhia: abandono de projetos antieconômicos, autonomia regional das redes sobre os sortimentos — a regionalização começou no Rio de Janeiro, depois Salvador, e Brasília vem a seguir — e, à medida que os fabricantes endureceram as condições, abertura de contratos para marcas regionais. Seus 11 centros de distribuição podem encolher para seis ou oito, com duas unidades em São Paulo se fundindo a partir de janeiro. O Extra Mercado ganha um reposicionamento mais agressivo construído com fornecedores, e algumas lojas do Pão de Açúcar podem ser convertidas onde o perfil dos clientes mudou.

A oferta de pagamento dá aos credores três caminhos: R$ 1,5 bilhão com carência de dois anos e pagamentos escalonados, sendo a maior parcela de quase R$ 850 milhões com vencimento em 2031; R$ 2 bilhões com deságio de 70%, pagáveis em 2036 e corrigidos pela taxa CDI; e R$ 1,1 bilhão conversíveis em debêntures conversíveis ao longo de 2027–2031. Cerca de R$ 260 milhões esperados do Itaú após o encerramento do FIC de financiamento ao consumo vão para os pagamentos da dívida no primeiro ano. A receita bruta caiu 6,1%, para R$ 9,5 bilhões, entre janeiro e setembro — o consultor Admar Corrêa classificou a queda como uma escolha deliberada por rentabilidade em vez de volume.

Santoro advertiu que as medidas exigem investimento e não trarão benefícios financeiros imediatos: "Hoje estamos mais enxutos, mas vamos ficar ainda mais enxutos", com o impacto total não refletido em 2026. A maior parte dos pagamentos devidos nos próximos anos terá de vir da própria geração de caixa do GPA; o mercado considera a carga administrável, dado o deságio e os vencimentos até 2036, desde que o varejista volte a crescer. Os maiores acionistas do GPA agora são a família Coelho Diniz e o investidor Silvio Tini, com o Casino em terceiro lugar.

Dívida financeira reduzida de R$ 4,5 bilhões para R$ 2,1 bilhões; ações fecharam em alta de 4,15% na aprovação; 57,5% dos credores, incluindo Itaú, HSBC e BTG Pactual, apoiaram o plano

A via extrajudicial reduziu a dívida pela metade sem uma recuperação judicial completa, em um mercado repleto de reestruturações de varejistas.

O plano classifica os créditos quirografários por critérios objetivos de datas de vencimento — argumento que o tribunal acolheu em detrimento da objeção da Casas Bahia de "mesma natureza".

Um único plano combina três instrumentos: prazo de carência, deságio de 70% e debêntures conversíveis.

Após a aprovação, o foco se desloca para as operações: sortimentos regionais, menos centros de distribuição e reposicionamento do Extra.

Um plano extrajudicial que agrupa credores por critérios objetivos pode reduzir a dívida pela metade sem recuperação judicial — mas a aprovação apenas ganha tempo; o ganho tem de vir da geração de caixa.

Os credores contestantes — Casas Bahia, Cone S.A., Transportadora Sanzaneze e Sanzitrans, Logged Rio e detentores de certificados de recebíveis imobiliários — tiveram 30 dias para escolher suas opções de pagamento. Santoro diz que o desafio agora é melhorar a execução das medidas operacionais já em curso, com a retomada do crescimento da receita como primeira prioridade após as quedas deliberadas de volume.

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As fontes

  1. GPA shifts focus to turnaround after court approves debt plan Valor International · valorinternational.globo.com ·