No fim dos anos 1990, a Lanvin, fundada por Jeanne Lanvin em 1889 e a mais antiga casa de moda francesa ainda em atividade, havia se reduzido a um negócio de perfumes sob a L'Oréal, irrelevante no prêt-à-porter de luxo. Em 2001, Shaw-Lan Wang, uma magnata taiwanesa da imprensa sem nenhuma experiência em moda, comprou a casa da L'Oréal por meio de sua holding Harmonie SA. Seu motivo declarado era quase caprichoso: uma amiga de Hong Kong usava Lanvin havia 30 anos e ficaria orgulhosa se ela fosse dona da marca.
A decisão decisiva veio em seguida: em vez de contratar um nome seguro do setor, Wang conheceu Alber Elbaz, recém-desligado da Yves Saint Laurent, e o escolheu porque seu press book abria com "Homage to Yves Saint Laurent" — "Bom, pensei. Ele sabe respeitar." Ela deu a Elbaz liberdade criativa quase total para "acordar a Bela Adormecida". Seus vestidos de coquetel femininos e fluidos fizeram da Lanvin novamente presença constante nos tapetes vermelhos e transformaram a casa em uma das grifes mais cobiçadas de Paris.
O renascimento durou mais de uma década: a receita subiu até um pico de €235 milhões em 2012 e cerca de €250 milhões estimados em 2014, com a marca vendendo em mais de 50 países. Em 2007, Wang também monetizou o braço de fragrâncias e cosméticos, vendendo-o à Inter Parfums por €22 milhões. Mas a relação entre dona e estilista se desgastou, e Wang demitiu Elbaz em outubro de 2015 — depois disso, as vendas caíram 23%, para €162 milhões em 2016, com prejuízo líquido de €18,3 milhões, o primeiro resultado negativo da casa em quase uma década.
A receita passou de uma operação de alta-costura marginal para um pico de €235 milhões em 2012 e cerca de €250 milhões estimados em 2014; a Lanvin voltou a ser uma das principais casas de luxo de Paris.
Wang confiou na visão criativa de um único outsider por 14 anos, em vez de correr atrás de tendências de curto prazo.
Elbaz foi escolhido por caráter e gosto, não por currículo, depois de ter sido descartado por outra casa.
A liberdade criativa era contratual em espírito: Wang ficou fora do design e deixou Elbaz comandar a estética.
O renascimento foi construído sobre produtos que as mulheres de fato vestiam — "vestidos que fazem as mulheres se sentir bonitas e à vontade" —, não sobre licenciamento de logotipo.
O colapso após a demissão de Elbaz em 2015 comprovou, por subtração, o valor da parceria.
Uma marca adormecida renasce quando um dono escolhe um único visionário criativo, dá a ele liberdade quase total e mantém a parceria por mais de uma década, em vez de trocar de estilistas em ciclo.
Após a demissão de Elbaz em outubro de 2015, a Lanvin passou pelos estilistas Bouchra Jarrar e Olivier Lapidus enquanto as vendas caíam do pico de €235 milhões em 2012 para €162 milhões em 2016, com prejuízo líquido de €18,3 milhões. Elbaz recebeu cerca de €10 milhões em acordo arbitral por sua demissão. Em 2018, com a casa ficando sem recursos, o conglomerado chinês Fosun assumiu uma participação majoritária e investiu €120 milhões; a fatia de Wang caiu de 75% para cerca de 20%. Elbaz morreu em abril de 2021, aos 59 anos.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Who Is The Woman Behind The Lanvin Furore? British Vogue · vogue.co.uk ·
- Lanvin Faces Slow Turnaround After Fosun Acquisition WWD · wwd.com ·
- Beloved Fashion Designer Alber Elbaz Has Died Vogue · vogue.com ·