A Schneider Electric começou em 1836, quando os irmãos Schneider compraram a fundição de Le Creusot e passaram a produzir aço e chapas de blindagem; ao longo do século XX, converteu-se de forma constante em um dos fabricantes mundiais de equipamentos elétricos (Schneider-Westinghouse, Merlin Gerin). Em 2013, sob o comando do CEO Jean-Pascal Tricoire, era líder global em equipamentos de baixa tensão, distribuição e automação industrial — uma empresa que já havia transformado setores uma vez.
Em julho de 2013, a Schneider anunciou uma aquisição amigável de £3,4 bi da Invensys, o grupo britânico de tecnologia industrial, a 502 pence por ação — um prêmio de 14%. As joias da coroa da Invensys eram suas marcas de software de controle de processos: Wonderware, Foxboro e os sistemas de segurança Triconex que operam refinarias, usinas de energia e instalações químicas. Essas plantas eram a metade da automação que a Schneider não possuía.
Os reguladores da UE aprovaram o negócio em novembro de 2013, e ele foi concluído em janeiro de 2014. O grupo combinado, com 156.000 funcionários, esperava cerca de €140 mi por ano em sinergias de custos — enquanto o ponto estratégico era a receita: software que carrega receita recorrente de licenças e serviços, vendido para o setor de energia em rápido crescimento.
£3,4 bi (€3,85 bi) acrescentaram o software de controle de processos da Invensys ao portfólio da Schneider — de alta margem e recorrente — além de cerca de €140 mi por ano em sinergias
Comprar a metade que faltava em vez de construí-la: o software de controle de processos se apoia na confiança da base instalada, e as marcas da Invensys chegaram com refinarias e usinas de energia que já operavam com elas.
A combinação funcionou porque o hardware encontrou o software: a receita recorrente de licenças e serviços elevou a qualidade dos lucros do grupo — uma melhoria estrutural, não um corte de custos pontual.
O prêmio foi disciplinado: 14% por um conjunto que o comprador genuinamente não tinha, pago em dinheiro e novas ações, com sinergias nomeadas — uma aquisição com tese, e não um troféu.
Quando a capacidade que lhe falta é um monopólio de base instalada, compre-a: um passo de M&A completou um século de pivôs — do aço ao elétrico e à automação — que décadas de P&D não conseguiriam
Depois da Invensys, a Schneider continuou se consolidando em torno de gestão de energia e automação, e permaneceu uma das maiores empresas mundiais de equipamentos elétricos e automação. Investidores e rivais absorveram a lógica: hardware mais software estava se tornando a forma padrão do setor.
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As fontes
- Schneider rachète Invensys pour 3,4 mds Investir Les Echos · investir.lesechos.fr ·
- Invensys bought out by Schneider Electric in £3.4bn deal The Guardian · theguardian.com ·
- Schneider Electric history — from steel foundry to electrical and automation group Schneider Electric (corporate history) · se.com ·