A Oi, que já foi o monopólio de telefonia fixa do Brasil, estava em recuperação judicial desde 2016 e havia vendido tudo, exceto seu negócio móvel. Quando este finalmente foi a leilão virtual sob supervisão judicial em dezembro de 2020, chegou exatamente uma proposta: R$ 16,5 bilhões, apresentada conjuntamente pelas três operadoras nacionais remanescentes — TIM, Vivo (da Telefônica) e Claro —, que haviam acordado previamente como dividir os despojos.
O fechamento exigiu mais de dois anos de etapas. A Anatel concedeu anuência prévia em janeiro de 2022, o Cade, órgão antitruste, seguiu em fevereiro de 2022, e cada transferência de ativo precisou de aprovação separada, enquanto os compradores pressionavam por uma indenização de R$ 3 bilhões contra a Oi, que, nesse meio-tempo, entrou com um novo pedido de recuperação judicial. Em 29 de março de 2023, a Anatel aprovou a incorporação pela TIM da Cozani, veículo que detinha sua fatia da Oi Móvel — um dos últimos atos formais, restando ainda a unificação de licenças e o pagamento de taxas de outorga dentro de uma janela de 180 dias.
A TIM então transformou a base adquirida em lucro. Em 2025, reportou lucro líquido de R$ 4,34 bilhões, alta de 37,4% sobre 2024, EBITDA de R$ 13,6 bilhões e margem EBITDA no quarto trimestre de 53,1% — a maior da história da companhia — sobre receita de R$ 26,6 bilhões. Sua base pós-paga cresceu 8,4%, para 32,7 milhões, com ARPU de R$ 54,8, e tornou-se a única operadora brasileira com 5G em mais de 1.000 cidades.
Até 2025, a TIM registrou recordes: lucro líquido de R$ 4,3 bilhões (+37,4%), EBITDA de R$ 13,6 bilhões, margem trimestral recorde de 53,1% e a única rede 5G do Brasil presente em 1.000 cidades
A Oi não tinha comprador alternativo e as três operadoras não tinham vendedor alternativo, de modo que a proposta conjunta limitou o preço a R$ 16,5 bilhões pelo lote — consolidação sem guerra de lances.
Os clientes absorvidos alimentaram um motor de premiumização: movimentos de migração do pré-pago para o pós-pago e de troca de plano em torno de 12% elevaram o ARPU, de modo que o valor do negócio veio da qualidade da receita, não do número bruto de assinantes.
O programa da TIM de 'melhor rede, melhor serviço, melhor oferta' fez com que os novos clientes chegassem a uma rede que já vinha sendo modernizada rumo à liderança em 5G.
O lento processo judicial forçou uma integração disciplinada: a unificação de licenças e os limites de poder de mercado contiveram o alcance da TIM, enquanto as condições do Cade preservaram a rivalidade com Vivo e Claro.
Quando existe apenas um conjunto de compradores, um leilão produz uma repartição, não uma pechincha. O vencedor é quem transforma mais rápido os clientes adquiridos em receita de maior margem.
O CEO Alberto Griselli permaneceu durante a integração e ainda estava no cargo quando os resultados de 2025 foram divulgados em fevereiro de 2026. O fluxo de caixa operacional livre atingiu R$ 5,3 bilhões, alta de 15,7%, e a unidade B2B ultrapassou R$ 1 bilhão em contratos assinados nos setores de agronegócio, logística e indústria. A disputa de R$ 3 bilhões por indenização com a Oi permanecia sem solução, e a casca remanescente da Oi — sem seu negócio móvel — navegava por mais uma recuperação judicial.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Anatel aprova incorporação de empresa da Oi Móvel pela TIM Tele.Síntese · telesintese.com.br ·
- TIM is projected to earn R$ 4,3 billion in 2025, a 37,4% increase over 2024 TI INSIDE Online · tiinside.com.br ·